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Fotos Antônio Rodrigues, para ver mais clique no endereço abaixo:
http://www.flickr.com/photos/arodrilho/sets/72157623052713785/detail/
Toni®ecife
Espaço dedicado para divulgação de espetáculos, trazendo a tona uma discusão sadia, informando e divulgando o fazer teatral de PERNAMBUCO onde quer que ele esteja.
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Fotos Antônio Rodrigues, para ver mais clique no endereço abaixo:
http://www.flickr.com/photos/arodrilho/sets/72157623052713785/detail/
Toni®ecife



Além de Till e uma infinidade de rústicos personagens medievais, a peça conta também a história de três cegos andarilhos que buscam a redenção, sonhando alcançar as torres de Jerusalém e salvar o Santo Sepulcro das mãos dos infiéis.
Estréia no dia 8 de outubro, no Teatro Apolo, o espetáculo Cordel do Amor sem Fim. Com direção e produção de Samuel Manoel Santos e texto da escritora Cláudia Barral, Cordel... foi financiado com recursos do Funcultura/2008. Também integra a produção a Poste Soluções Luminosas, que até então desenvolveu soluções de iluminação para diversos espetáculos na cidade. O figurino é de Agrinez Melo, Música de Josias Albuquerque, direção de arte de Fernando Kehler.
A Trama
Cordel do Amor sem Fim se passa na cidade de Carinhanha, sertão baiano, às margens do Rio São Francisco, que de certa maneira é um dos personagens da trama. Na cidade vivem três irmãs – a velha Madalena, a misteriosa Carminha e a jovem e sonhadora Tereza –, por quem José é apaixonado. Drummondianamente, Carminha ama José, que ama Tereza que ama Antônio, um viajante por quem ela se apaixona no porto da cidade, no dia em que um almoço marcaria o pedido de casamento feito por José.
É a partir deste ponto que fica evidente como Carminha renova suas esperanças por José; e que Madalena, a mais velha, procura como pode evitar que Tereza viva de uma vã promessa, à espera no porto pela volta de Antônio. Madalena via no casamento da irmã a possibilidade de concretização de seus próprios sonhos não realizados
Toda a trama então se desenrola em função desse tempo de espera e de esperanças. Tereza é tocada por um desejo sem medida, que a faz viver todos os dias em função dele. A certa altura, ela afima: “o tempo é coisa que não tem medida”, o mesmo se diz do amor. A principal concepção que permeia o espetáculo é pensar o tempo, ou Cronos, o mais jovem dos Titãs da mitologia grega, como gerador e regedor das situações, daquilo que os personagens vivem em cena.
A Montagem
O diretor Samuel Santos optou por uma montagem enxuta, mas refinada. O cenário é mínimo, cada elemento em cena tem uma carga simbólica e funcionalidade definidas, que se integram. Essa simplicidade ressalta a presença e o trabalho do ator. Por causa dessa opção estética, a preparação do elenco lançou mão de diversos métodos.
Passando inicialmente pela leitura branca do texto e da análise do perfil psicológico dos personagens, a preparação incluiu técnicas de canto e voz, com fonoaudióloga e professor de canto. O apuro corporal foi um elemento fundamental pois foi ele que conduziu à incorporação dos personagens graças à formação de uma partitura física, dentro do sistema desenvolvido pelo diretor russo Michael Tchekov. Para isso, foram fundamentais as aulas de Tai Chi Chuan no sentido da incorporação de elementos orientais. O resultado é uma movimentação harmônica dos personagens, que em certos momentos da encenação se aproxima de uma dança articulada com a trama.
As diversas lnguagens e técnicas usadas para narrar de forma orgânica a dinâmica e a atmosfera da trama se apóiam nas possibilidades físicas desenvolvidas pelo elenco e em seu trabalho de pesquisa.
Como afirma Samuel Santos, trata-se de um espetáculo de influências, onde diversas referências norteiam a atuação dos atores – passando por fontes orientais, regionais nordetinas, africanas, ibéricas e que podem ser verificados na dança, no figurino, na iluminação e no cenário.
A procura de um uso orgânico para as múltiplas linguagens e técnicas resulta numa criação híbrida, “um amálgama de linguagens que faz a encenação não um espaço comum, mas um campo liberto e criativo”, afirma o diretor Samuel Santos.
O texto
Cordel do Amor Sem Fim é uma obra de uma jovem escritora baiana, Cláudia Barral, muito inspirada nos relatos que seu pai fazia sobre a cidade de Carinhanha. Embora o título possa remeter ao gênero cordel como praticado no Brasil, ou seja, rimado e metrificado, Cláudia baseou-se na tradição ibérica de dependurar em cordas livros, romances e peças de teatro para serem vendidas.
Ele é um texto de teatro que bebe na fonte do contemporâneo e transcende o cotidiano do tema proposto e o coloca em outra perspectiva: a da universalidade da relação e do sentimento no seu estado mais primitivo.
Formada em Interpretação Teatral pela Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, Cláudia foi assistente de direção de João Falcão em “Cambaio”, musical de Chico Buarque e Edu Lobo em 2001. Neste mesmo ano recebeu o Prêmio Copene de Teatro na categoria melhor autor pelo texto “O Cego e o Louco”, encenada por Othon Bastos e Rogério Fróes, com direção de Gracindo Júnior – antes disso, o mesmo texto recebeu uma leitura dramática histórica por José Lewgoy.
Cordel do Amor Sem Fim foi premiado em terceiro lugar pelo Prêmio Funarte de Dramaturgia, em 2003.
O diretor
Samuel Manoel dos Santos é um velho conhecido dos palcos pernambucanos. Como ator de teatro, trabalhou em: ‘Peter Pan’ direção de Manoel Constantino, O Hipopocaré, direção de Carlos Carvalho, “Minha Infância Querida “ de Maria clara Machado, direção Carlos Sales, “ Concerto para Virgulino sem Orquestra “ de Vital Santos, “Memórias Póstumas de Brás Cubas “, de Machado de Assis”, “Dois Perdidos numa Noite Suja “, de Plínio Marcos com direção de Normando Roberto Santos dentre outros.
Como diretor, se notabilizou com o espetáculo “A Terra dos Meninos Pelados”, de Graciliano Ramos, em 2002; a montagem levou 9 prêmios no Janeiro de Grandes Espetáculos/2003. Samuel dirigiu também: “A Falecida” de Nelson Rodrigues , em 2000 e em 2003, montou o “Menino Minotauro”, de Luís Felipe Botelho”; “Minha Infância Querida”, de Maria Clara Machado, “São Bernardo”, de Graciliano Ramos; e o texto premiado pela FUNARTE em 2003, de sua autoria, “O Amor do Galo da Madrugada Pela Galinha D’Água” em 2006 onde ganha o premio de melhor espetáculo para infância no janeiro de grandes espetáculos.
Samuel foi ainda Melhor Diretor na categoria Teatro para a Infância pelo espetáculo “Historinhas de Dentro”, no prêmio Janeiro de Grandes Espetáculos 2009. Também recebeu o Prêmio Especial de Teatro para Crianças pela dramaturgia voltada para as crianças.
FICHA TÉCNICA
Texto - Claudia Barral
Encenaçao e cenografia - Samuel Santos
Figurino - Agrinez Melo
Iluminaço- O Poste Soluções Luminosas
Programaçao visual = Java aAraújo
Professor de Tai Chi Chuan - Mestre Manoel Francisco
Música - Josias Albuquerque
Direção de arte – Fernando Kehler
Elenco
AGRINEZ MELO (CARMINHA)
MONALIZE MENDONÇA (TEREZA)
NANA SODRÉ ( MADALENA E ANTONIO)
THOMAZ AQUINO ( JOSÉ)
Samuel Manoel dos Santos: 8835.6304
Luiz Carlos (ASCOM): 9996.5742
Estréia do espetáculo "Cordel do Amor Sem Fim"
Teatro Apolo: 08 e 09 de Outubro - 20:00h
Espaço Compassos: 16,23 e 30 de Outubro - 19:00h
06,13,20 e 27 de Novembro - 19:00h
Anote: O aconchegante "Espaço Compassos" fica na Rua da Moeda,93 (Primeiro Andar) Recife Antigo.
*Obs: Entrada gratuita e espetáculo livre para maiores de 18 anos.
Filme Noir - RJ
Domingo, 11/10
16h A Paixão e a Sina de Mateus e Catirina (Rua) - Tropa do Balaco Baco – Arcoverde – PE
Classificação: Livre - Local: Parque Ruber van der Linden
20h Filme Noir – 2ª sessão (Formas animadas) - Cia. PeQuod Teatro de Animação – RJ
Classificação: Livre - Local: Teatro Luiz Souto Dourado
Segunda, 12/10
15h Vade-Retro (Rua) Tropa do Balaco Baco – Equipe Teatral de Arcoverde – PE
Classificação: Livre - Local: Pátio interno (Colégio Diocesano de Garanhuns)
16h00 Lançamento do Livro “Pregando Peças”, do autor Carlos Janduy
Local: Auditório do Colégio Diocesano de Garanhuns
20h Mais um Tiquim de Nós (Adulto) - GCETH – Garanhuns – PE
Classificação: 12 anos - Local: Teatro Luiz Souto Dourado
Terça, 13/10
11h Palhaçadas – Histórias de um Circo sem Lona (Infância e Juventude) - Cia 2 em cena – Recife – PE
Classificação: Livre - Local: Teatro Luiz Souto Dourado
15h Histórias de Pingos de Chuva (Infância e Juventude) - Companhia Ânima de Teatro – Recife – PE
Classificação: Livre - Local: Teatro Luiz Souto Dourado
20h Entre Amores, Flores e Frustrações – 1ª sessão (Adulto) - Companhia Teatral Nós de Gato (SESC Garanhuns)
Classificação: 12 anos - Local: SESC Garanhuns
Quarta, 14/10
11h Mamulengo Tomé (Bonecos) - Parente e as Irmãzinhas do Melê – Garanhuns – PE
Classificação: Livre - Local: Espaço Cultural Luiz Jardim – Centro
20h Entre Amores, Flores e Frustrações – 2ª sessão (Adulto) - Companhia Teatral Nós de Gato (SESC Garanhuns)
Classificação: 12 anos - Local: SESC Garanhuns
Quinta, 15/10
16h00 Palestra com Ivonete Melo – SATED/PE - Tema: Profissionalização dos agentes da cena
Local: Salão de eventos - SESC Garanhuns
20h A Dona da História (Adulto) – Trup Errante e Pé nu Palco – Petrolina – PE
Classificação: 12 anos – Local: Teatro Luiz Souto Dourado
Sexta, 16/10
10h Pinóquio e suas Desventuras
(Infância e Juventude) – Cênicas Cia. de Repertório – Recife – PE
Classificação: Livre - Local: Teatro Luiz Souto Dourado
20h Que Muito Amou
(Adulto) - Cênicas Cia. de Repertório – Recife/Garanhuns – PE
Classificação: 16 anos - Local: Teatro Luiz Souto Dourado
Sábado, 17/10
14h00 Mesa Redonda: Cadeia Produtiva da Arte
Convidados: José Manoel Sobrinho, Galiana Brasil, Leidson Ferraz, Ivonete Melo,
Teresa Amaral, Marcus Rodrigues, Carlos Janduy, Elias Mouret, Jorge Clésio,
Maria Rita Freire Costa. Mediação: Lílian Ferreira
Local: Salão de eventos SESC Garanhuns
16h00 Lançamento da coleção de livros Memórias da Cena Pernambucana
(4 volumes), de Leidson Ferraz
Local: Salão de eventos SESC Garanhuns
20h Enamorados... A Demanda do Amor - Coletivo Enamorados de Teatro – Recife – PE
Classificação: 12 anos - Local: SESC Garanhuns
23h00 Festa de Encerramento com a banda os “Valvulados e convidados”
Local: Escritório Bar

O 16° Janeiro de Grandes Espetáculos, programado para o período de 07 a 27 de janeiro de 2010, numa realização da APACEPE (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), inscreve produções pernambucanas de teatro para adultos, teatro para a infância e dança (em todo o estado), somente até esta sexta-feira, dia 25 de setembro. Informações completas no site www.janeirodegrandesespetaculos.com ou pelo telefone (81) 3421 8456. Não há inscrição para espetáculos de outros estados (estes, serão convidados pela organização do evento).
Caio F é do mundo
Dois grupos de Pernambuco se unem para levar ao palco contos do escritor gaúchoFalando por telefone de Recife, Antônio Rodrigues, que divide a direção de Caio F. – Três Monólogos com o também pernambucano Breno Fittipaldi, avisa: – Não é porque viemos do Nordeste que vamos mostrar uma montagem com cores regionais. Vamos mostrar um espetáculo universal.
Rodrigues está falando da peça que estará em cartaz hoje e amanhã, às 22h, no Auditório do Instituto Goethe, ainda com ingressos à venda. Mas, por tabela, acaba explicando por que a obra de Caio Fernando Abreu (1948 – 1996) parece não sair de cartaz nos palcos.
– Ele escreve sobre os dramas, as solidões e os amores próprios de quem vive nas cidades grandes. E cidades grandes existem em todo o mundo, Nordeste, Europa ou sul do Brasil. Somos todos animais urbanos– diz Rodrigues.
A multiplicação de Caios é tão grande que Três Monólogos é uma combinação de dois espetáculos inspirados em textos do gaúcho – um criado pela Cia do Ator Nu (de Fittipaldi) e outro pela Cênicas Cia de Repertório (de Rodrigues). O coordenador do Em Cena, Luciano Alabarse, assistiu em Pernambuco aos trabalhos e sugeriu aos grupos que se criasse um novo espetáculo a partir deles.
Acabou assim: começa com o monólogo Praiazinha, em que um menino descobre as coisas do sexo observando seu primo; depois, entra em cena a conhecida Dama da Noite, texto ambientado em um bar de final de noite, onde uma criatura de sexualidade indefinida cobra indefinições de um cliente. Em seguida, o público é convidado a relaxar e a provar de um conhaque, antes da trama de Fio Invisível, baseado no conto Além do Ponto, que descreve a jornada sentimental de um solitário que corre a cidade atrás de alguém que o acolha.
Rodrigues observa que não importa tratar-se de contos, romances ou textos dramatúrgicos, a obra de Caio exibe características que seduzem os encenadores: um tom confessional que convoca à cumplicidade, descrições atentas que facilitam a visualização das cenas, talento para descobrir poesia e redenção em temas muitas vezes violentos.


Marcelo Francisco e Gilberto Gawronski
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Folha de São Paulo - 08 de setembro de 2009
Porto Alegre em Cena liga teatros de Recife e Montevidéu
Em seu 16º ano, o Porto Alegre em Cena, um dos mais importantes festivais de artes cênicas do país, abre as cortinas a partir de hoje tanto para uma compatriota distante, Recife, quanto para uma estrangeira vizinha, Montevidéu. E também, por que não, para um diálogo entre as duas.
Com três representantes, a produção pernambucana é um dos destaques da programação nacional e encabeça uma comitiva nordestina encorpada --comparecem cinco títulos da região, quando o habitual nas grandes mostras do Sul e do Sudeste é ter, no máximo, dois.
Em um dos espetáculos recifenses, reverbera um sotaque gaúcho: "Caio F. - Três Monólogos" costura contos de Caio Fernando Abreu (1948-1996), autor cada vez mais encenado por jovens grupos no Brasil.
Na ala internacional, é o Uruguai que mais envia peças a Porto Alegre. Há desde um texto da franco-iraniana Yasmina Reza protagonizado por César Troncoso (que o público brasileiro conhece do filme "O Banheiro do Papa") até "biografias-em-cena" dos pintores Van Gogh e Frida Kahlo.http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u620747.shtml
LUCAS NEVES da Folha de S.Paulo
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Jornal La República - 18 de setembro de 2009- Uruguai
Muestra. Una mirada a lo más destacado del arte de las tablas
Prosigue a toda marcha el festival teatral "Porto Alegre en Escena"
Cena Fio Invisível
"Caio Fernando Abreu, tres monólogos", de Antônio Rodrigues y Breno Fitipaldi (de Pernambuco, Teatro del Instituto Goethe) es un estreno del Festival que une "Fio invisível de minha cabeça", "Praiazinha" y "A dama da noite" de Caio Fernando Abreu. Con buenas interpretaciones de Henrique Ponzi, Antonio Rodrigues y Marcelo Francisco, las tres piezas desarrollan los temas permanentes de Abreu, con su energía habitual: el elusivo sentido de la vida y el placer y sobre todo "...el temor de haber sido y un futuro terror".
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Jornal do Brasil - 18 de setembro de 2009 - RJ
De Beckett a Caio Fernando Abreu no 'Porto Alegre em Cena'
Daniel Schenker, Jornal do Brasil
PORTO ALEGRE - RS
A diversidade do teatro de Pernambuco despontou nos espetáculos apresentados na 16ª edição do festival Porto Alegre em Cena. O grupo Magiluth recebeu aplausos entusiasmados por Ato, trabalho no qual conjugaram o universo clownesco com assumida inspiração em Samuel Beckett (1906-1989). A Companhia Ator Nu e a Cênicas Companhia de Repertório somaram forças na realização de Caio Fernando Abreu – Três monólogos, resultado de adaptações teatrais de textos não dramatúrgicos do escritor (1948-1996). E Ivaldo Mendonça mostrou Tempo fragmento, criação filiada ao campo da dança que faz carreira há um ano e meio.
– Existe uma efervescência de companhias jovens no Recife desde o ano 2000 – diagnostica Pedro Vilela, integrante do Magiluth, companhia que fundou o Grite (Grupos Reunidos de Investigações Teatrais), movimento que visa à discussão de políticas públicas.
Pedro também faz referência a outros grupos que vêm se destacando nos últimos anos, como Coletivo Angu de Teatro, Fiandeiros, Quadro de Cena, Totem, Marco Zero e a já citada Cênicas Companhia de Repertório. O Magiluth surgiu em 2004, no curso de licenciatura em artes cênicas da Universidade Federal de Pernambuco. Lançou-se profissionalmente com o espetáculo Corra, uma investigação em torno do ator-narrador inserido no teatro épico. Mudaram de rumo em Ato, encenação em que aborda, sem utilizar a palavra, as relações de poder.
– Buscamos desenvolver a temática do poder através da figura do clown. Mesclamos com influências dos quadrinhos e dos desenhos animados. E construímos cenas fragmentadas, absurdas e contrastantes na alternância entre a despretensão da gag e a perspectiva trágica – desenvolve Júlia Fontes, que assina o espetáculo com Thiago Liberdade.
A principal referência no universo de Beckett é a da peça Ato sem palavras 1. Em vez do personagem que vaga pelo deserto impotente diante dos desígnios de uma força superior, os diretores enfocam disputas de poder num sistema hierárquico claramente definido. Mas há também apropriações de outros textos, como Esperando Godot, a exemplo da reprodução da relação de domínio e dependência entre Pozzo e Lucky. Depois de Ato a companhia partirá para novo desafio: a adaptação de Diário da guerra de São Paulo, livro de Fernando Bonassi, no qual retomará as bases do teatro narrativo a partir de oficinas com profissionais como Marcio Marciano, da Companhia do Latão, atualmente radicado na Paraíba, onde conduz o Coletivo Alfenim.
Perguntas ao público
Caio Fernando Abreu – Três monólogos surgiu de uma proposta lançada pelo próprio diretor do Porto Alegre em Cena, Luciano Alabarse, que assistiu, no Janeiro de Grandes Espetáculos, às apresentações de monólogos concebidos a partir de contos de Caio – Uma praiazinha de areia bem clara, ali, na beira da sanga, A dama da noite e Além do ponto. Os dois primeiros foram assinados pela Cênicas Companhia de Repertório; o último, reunido num trabalho intitulado Fio invisível da minha cabeça, pela Companhia do Ator Nu.
– São contos sobre personagens que estão à margem e amaram demais – resume o produtor Edjalma Cassemiro de Freitas.
Os diretores Breno Fittipaldi e Antônio Rodrigues vêm estreitando contato com a obra de Caio Fernando Abreu há bastante tempo.
– Conheci seus textos em 1988, época em que havia lançado Morangos mofados. De início, não imaginei transportá-los para o teatro. Até que em 2000 ministrei um curso e concluí com trabalho a partir dos contos de Os dragões não conhecem o paraíso – lembra Fittipaldi.
Fittipaldi e Rodrigues constatam uma preponderância na adaptação de obras não dramatúrgicas para o palco em detrimento dos textos escritos para teatro, ainda que o público já tenha visto encenações de A maldição do Vale Negro e Pode ser que seja só o leiteiro lá fora.
– Nos textos teatrais há um humor mais leve. Mas acho que muitos compraram a ideia de um Caio mais noturno e cruel, próprio da produção literária – opina Rodrigues.
Representante da dança no Porto Alegre em Cena, Ivaldo Mendonça mostrou Tempo fragmento, espetáculo lacunar, no que se refere à determinação em deixar espaços para o espectador preencher.
– Trabalhamos com a intensidade do movimento, o que não implica em emoções. Afinal, procuramos justamente não induzir o público a uma leitura específica – justificaIvaldo Mendonça.
Tempo fragmento parte tanto de experiências pessoais dos bailarinos quanto de pesquisas realizadas durante o processo.
– Como o suporte é a nossa vivência, falamos sobre passado e presente. Além disso, formulamos questionários e distribuímos para pessoas próximas, mas de classes sociais diferentes. Lançamos perguntas como: “Você acha que seu tempo de vida termina na morte ou numa tristeza?”. As respostas costumam ser parecidas – aponta Ivaldo.
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/09/18/e18096248.asp
Daniel Schenker viajou a convite da organização do festival

No Camarim com Luis Salem, Gilberto Gavronski e Nildo arente(Breno Fitipaldi, Henrique Ponzi, Marcelo Francisco e Antônio Rodrigues)
Entrevista na Rádio no RS
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Crítica Rodrigo Monteiro
20 de Setembro de 2009
16° Porto Alegre em Cena: Caio Fernando Abreu: três monólogos
Caio de Setembro
por Rodrigo Monteiro
http://teatropoa.blogspot.com
[foto: diego pisante/divulgação]
Try to remember the kind of September
When life was slow and oh, so mellow.
Try to remember the kind of September
When grass was green and grain was yellow.
Try to remember the kind of September
When you were a tender and callow fellow.
Try to remember, and if you remember,
Then follow.*
Depois de terem sido vividas, as coisas não podem morrer. Você pode fingir, fazer de conta que elas não existem, que não estão ali, não lembrar delas sempre, mas achar que desapareceram é impossível. A vida se constrói em movimentos, todos eles sem retorno. É de Heráclito a conclusão de que você nunca toma banho no mesmo rio duas vezes. O novo só é novo uma vez. E, em December, lembramos (ou lembraremos) com prazer the kind of September. Quando a vida era devagar e doce, a grama era verde e você (não importa quem) era terno e próximo.
Foi Caio Fernando Abreu quem soprou em September, esse virginiano gaúcho com uma vida cheia de furacões dentro de si. Em December, só conseguimos vislumbrar a ingenuidade de September. Caio aponta o dedo na ferida e nos faz, near Christmas, conviver com a dor de que muito provavelmente nem Papai Noel exista. Depois de ler Caio, e viajar com ele, só os medíocres são ingênuos.
Quando a Cia Ator Nu e a Cênicas Cia de Repertório, ambas de Recife, iniciaram, no palco do Goethe, três monólogos de Caio, eu sabia que dali não era possível sair como entrei. Talvez mesmo isso nunca seja possível, mas é uma certeza quando se trata de um texto desse autor. Caio me ensinou a dar-me rosas brancas para que eu as colorisse com as cores da minha vida. Me ensinou o prazer de suores noturnos, de companhias desconhecidas, de momentos fugazes. Me ensinou o gosto salgado de estar vivo, a ouvir o próprio coração, tomar chá. Um conto do Caio F. é sempre uma viagem sem volta em que não se é passageiro, mas testemunha.
Na platéia, somos testemunhas de três monólogos benvindos, cada um por um motivo. Cada texto com o seu segredo a segredar.
No primeiro, a solidão das lembranças que não se apagam e nos individualizam. O habitar um único e pequeno espaço dentro de nós mesmos, no palco traduzido por toda uma marcação sobre uma caixa pequena e apertada. Um único foco sobre o ator, a claustrofóbica sensação de segredos sendo amarrados no peito, escondidos contra o mundo que os deve descobrir. Quem já se abriu para pessoas erradas, sente na carne pedaços de sua carne em bandejas vergonhosas.
No segundo, a amargura de quem brilha para poucos. Um brilho sublime que só não é para qualquer um porque, infelizmente, de pobrezas o mundo é cheio. Cheio e rodante, pois, na roda, estão os que não param para viver. A Dama da Noite é um sol cuja luz é possível enxergar.
No último, a vontade de ser feliz, a confiança de que, ao bater e esperar, um dia, a porta irá se abrir. A fé de que há um pouco de lógica nessa vida que nos permite confiar que, se fizermos por merecer, haveremos de ganhar nosso quinhão. Mesmo molhados e fedidos, cansados e sujos, estamos a bater e a esperar, batedores e esperançados. Sonhadores.
Cada ator e suas qualidades, embora destaque a antecipação frustrante dos gestos às palavras no primeiro e o excesso de recursos cênicos no terceiro, o que polui o último monólogo de um jeito bastante cansativo. Todos, no entanto, honestos a enfrentar as sensações e os sentimentos que o texto lhes trouxe e que eles, agora, hão de nos fazer sentir e lembrar.
Cá lembro de Caio e do peso de suas palavras.
Ficha Técnica:
Texto: Caio Fernando Abreu
Direção: Breno Fittipaldi e Antônio Rodrigues
Adaptação: Antônio Rodrigues
Elenco: Henrique Ponzi, Antônio Rodrigues e Marcelo Francisco
Iluminação: Luciana Rapozo
Trilha Sonora: Sônia Guimarães e Antônio Rodrigues
Produção: Edjalma Cassemiro de Freitas
http://thingsmag.blogspot.com/2009/09/16-porto-alegre-em-cena-caio-fernando.html
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Um jeito moderno para falar de amor
Publicado em 11.09.2009, às 00h03 - Eugênia Bezerra Do Caderno C/ JC
Temas derivados da fragmentação das relações afetivas permeiam o enredo da peça Carícias, que tem direção de Leo Falcão e texto do dramaturgo catalão Sergi Belbel. O novo espetáculo da Remo Produções Artísticas estreia, para convidados, sábado e entra em cartaz no domingo, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho.
Carícias tem uma estrutura circular, em que o personagem de uma cena dialoga com outro do quadro seguinte. Os personagens não tem nomes próprios, são a garota, o homem velho, etc. A ação se desenvolve em uma passarela, ladeada pelas duas arquibancadas nas quais o público se acomoda. “Leo optou por um tabuleiro conceitual. Uma estética mais conceitual do que realista, algo que se vê pouco no teatro pernambucano”, ressalta Whalter Holmes, responsável pelo cenário e figurino.
A montagem surgiu pelo desejo dos atores Carlos Lira, Cira Ramos, Marcelino Dias e Paula de Renor de continuarem trabalhando juntos após a remontagem de Fernando e Isaura, em 2005 (posteriormente, também integraram o elenco de Carícias Ana Cláudia Wanguestel e Rodrigo Garcia).
Para isto, escolheram o texto do premiado Sergi Belbel – por sua essência visceral e por tratar de questões atuais, e queriam trabalhar com um novo diretor. “O texto traz essa questão do relacionamento, da falta de comunicação. Achamos que seria interessante e difícil de interpretar, queríamos experimentar. Para a direção queríamos uma pessoa que não tivesse trabalhado com a gente antes, até de uma outra linguagem, para fazer o contraste”, explica Paula de Renor. Assim o grupo chegou ao nome do cineasta Leo Falcão.
Em seu primeiro trabalho de direção teatral, Falcão trouxe elementos do realismo fantástico, que são referência de suas criações no audiovisual. Também fez inserções de textos de Neil Gaiman (Sandman), Clarice Lispector (Perto do coração selvagem) e Erasmo de Rotterdam (O elogio da loucura). “Dirigir teatro está sendo interessante para mim, para investigar outras potencialidades expressivas. Meus dois últimos filmes foram documentários, então também há uma retomada no trabalho com o ator, que eu gosto muito”, avalia Leo Falcão. Neste processo, ele contou com a assistência de direção e preparação de elenco de Karina Falcão.
A montagem de Carícias foi financiada através do Prêmio Miriam Muniz de Fomento ao Teatro, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), com R$ 100 mil. O projeto também foi aprovado pelo Sistema de Incentivo à Cultura do Recife, com cerca de R$ 46 mil, mas ainda está captando recursos.
SERVIÇO
Estreia aberta ao público: 13 de setembro (domingo), às 20h
Temporada: até 11 de outubro (sábados e domingos, às 20h)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho - Av. Martin Luther King, s/n, Bairro do Recife.
Ingressos: R$ 15,00 e R$ 7,50
Informações: (81) 3232-2030 3232-2028
Fonte: Jornal do Comércio