sábado, 12 de setembro de 2009







Hamlet está nu e Estreia hoje no Barreto Júnior

Publicado em 12.09.2009


Espetáculo criado por João Denys para os atores Edjalma Freitas e Henrique Ponzi estreia no Barreto Jr.

Eugênia Bezerra
ebezerra@jc.com.br


Presos a um espaço restrito, no qual são forçados a conviver, os personagens Hamlet e o Coveiro (ambos extraídos da tragédia escrita por William Shakespeare), ressurgem na peça Encruzilhada Hamlet, da Cia. do Ator Nu. A peça tem direção de João Denys e trilha sonora composta por Naná Vasconcelos. A estreia acontece hoje, às 20h, no Teatro Barreto Júnior, onde o espetáculo cumpre temporada até o dia 18 de outubro.

“Absolutamente não é uma adaptação de Hamlet”, afirma João Denys. O diretor prefere apresentar o trabalho como “um texto original, dividido em três partes assim denominadas: Um retábulo para os luminares celestes, Um retábulo para os espíritos e Um retábulo para os loucos e deserdados”.

Ele explica que, no início, a proposta dos atores da Cia. do Ator Nu (Edjalma Freitas e Henrique Ponzi) era realizar uma montagem de Hamletmachine, do alemão Heiner Müller. “Quando eles me procuraram em 2004, era esse o intuito, este é um espetáculo para dois atores e seria a estreia da companhia. Mas eu estava escrevendo uma tese e não poderia montar a peça, por isso sugeri estudarmos a origem do Hamletmachine. Passamos um ano inteiro estudando Hamlet. Foi a hora de sistematizar o que foi escrito sobre a obra em português, do psicanalítico ao histórico e no próprio teatro”, recorda o diretor.

Após este processo, decidiram não montar o espetáculo alemão e partir para um texto próprio: “Aquela realidade se afastava muito de nós, queríamos algo que dissesse algo da nossa cultura”, lembra Denys. Ele chegou a contactar o poeta Jomard Muniz de Brito para escrever o texto na época, mas só pôde retomar o projeto (sozinho) um tempo depois.

Assim o trio chegou à montagem que estreia hoje. “É como se eu pegasse a cena do coveiro de Hamlet e criasse toda uma história, tendo o Hamlet e o coveiro como personagens de Shakespeare, conscientes de sua existência como personagens teatrais”, explica Denys, que vê nesta peça uma homenagem ao próprio teatro: “Hamlet é uma obra central do teatro do Ocidente, que aglutina toda uma ideia do teatro”.

No palco, é como se os personagens revolvessem a cova onde foram enterrados há séculos e ressurgissem no momento em que a peça está sendo apresentada – Edjalma Freitas interpreta Hamlet, Henrique Ponzi é o coveiro, e eles contracenam nus. “Tenho predileção por essa cena. Faz parte do meu estilo, essa coisa do grande e do pequeno (representados pelos personagens, um príncipe e um homem do povo). Há uma refeitura da minha dramaturgia”, ressalta o diretor.

Também foi de Denys a ideia de convidar Naná Vasconcelos para compor a trilha sonora. “Já tinha trabalhado com uma música dele no espetáculo O círculo da vida. Sempre fui apaixonado pelo experimento vocal e musical que ele tem. Ele captou o espetáculo” resume.

Naná Vasconcelos também aprovou a experiência. “Eles me mandaram o script e eu fiquei curioso, sei como é a dificuldade de fazer teatro aqui no Brasil, especialmente no Nordeste. Eu queria fazer parte disso. Quando fui encontrá-los a primeira vez, descobri que quem estava dirigindo era uma pessoa que realmente gosta do trabalho, isso reforçou a minha vontade de fazer. Fui aos ensaios duas vezes e depois fui para o estúdio. Quando voltei, o diretor disse que era isso mesmo que ele queria. Tudo colaborou”, afirma o músico, que vai incluir o tema da peça em seu próximo disco, Sinfonia e batuques.

A peça Encruzilhada Hamlet recebeu o apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), com cerca de R$ 78 mil, e do Prêmio de Fomento às Artes Cênicas da Prefeitura da Cidade do Recife, no qual cada um dos cinco selecionados recebeu R$ 20 mil. A estreia nacional aconteceu no último dia 7 de setembro, no 17º Festival de Teatro Nordestino de Guaramiranga (CE).

» Encruzilhada Hamlet. Sábados e domingos, às 20h, no Teatro Barreto Júnior. Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina. Ingresso:R$ 10 e R$ 5. Informações: 3232-3054. Fonte: Jornal do Comércio

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Mesmo sem nenhum teatro disponível, a cidade de Arcoverde é palco para o I Festival Cena Aberta – Semana Geraldo Barros

Piquenique no Front - Foto Sacha Alencar

Porta de entrada do sertão pernambucano e referência de uma produção teatral de qualidade, a cidade de Arcoverde será palco, a partir desta sexta-feira, de 11 a 20 de setembro de 2009, do I Festival Cena Aberta – Semana Geraldo Barros, promovido pela Associação Cultural Tropa do Balaco Baco, com incentivo do Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco e apoio do Sesc e Prefeitura Municipal de Arcoverde. Além da presença de vários espetáculos teatrais, oriundos do Acre, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte, Pernambuco e França (o objetivo é que cada grupo participante experimente locais diferentes em suas apresentações, evidenciando a característica desse festival de teatro para múltiplos espaços, já que a cidade não possui nenhuma casa de espetáculos disponível: o Sesc está reformando o seu auditório há anos; e o Teatro Geraldo Barros Farias, prometido pela Prefeitura em gestões passadas, nunca foi entregue à população e encontra-se interditado por desvio de verbas e nenhuma infra-estrutura), o evento vai contar ainda com aulas-demonstrações de trabalho de quase todas as equipes participantes, oficina de clown com a equipe francesa Cie Du P’Tit Doigt, dois colóquios, discutindo “A Cadeia Produtiva da Arte” e “As Artes Cênicas e Seus Espaços de Representação”, lançamento de livros (da coleção “Memórias da Cena Pernambucana”, do jornalista e pesquisador teatral Leidson Ferraz) e exibição, em estréia, de um documentário sobre Geraldo Barros, saudoso diretor de teatro, agitador cultural do movimento artístico em Arcoverde e primeiro diretor de Cultura do município, além de debates sobre cada espetáculo. Também estão agendados shows musicais, cortejo pelas ruas e uma festa de confraternização, intitulada “Evoé Baco!”.

Ciclopes - Foto Ricardo Mendes

As apresentações teatrais vão ocupar o Presídio Brito Alves, Galpão da Estação da Cultura, Largo de São Geraldo, Praça da Bandeira, Praça de São Cristóvão, Alto do Cruzeiro, Fundação Terra, Praça da COHAB I, Esporte Clube de Arcoverde, Clube dos Sargentos e Subtenentes, e Escadaria e Canteiro de Obras do Sesc Arcoverde, sempre com entrada franca.
Na programação total, 18 montagens, de quinze equipes diferentes.
Participam: “Piquenique no Front”, da Cia. Visse & Versa de Ação Cênica (Rio Branco/AC), que abre a programação; “Cíclopes”, da Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades (Rio de Janeiro/RJ); “Decripolou Totepou”, solo da atriz Odília Nunes, da Trupe Puxincói, Teatro e Variedade (Tuparetama/PE), com apresentações destinadas ao público infantil das escolas da rede pública de ensino; “A Paixão e a Sina de Mateus e Catirina“ e “Vade-Retro”, ambos com a Tropa do Balaco Baco; “Carmem de La Zone”, do Teatro Experimental da Cena; “O Despertar da Primavera”, do Teatro de Retalhos; e “Federika – O Arlequim Guerrilheiro”, do Grupo Manda Lá de Teatro (os quatro últimos de Arcoverde/PE); “Deus Danado”, do Grupo de Teatro Arte-Em-Cena (Caruaru/PE); “Do Moço e do Bêbado Luna”, com os Loucos e Oprimidos da Maciel e “Enamorados... A Demanda do Amor”, com o Coletivo Enamorados de Teatro (os dois últimos do Recife/PE); “A Dona da História”, da Trupe Errante e Pé nu Palco Grupo de Teatro (Petrolina/PE); “O Cavalo Que Defecava Dinheiro” e “Viva a Nau Catarineta”, ambos do Grudage (Cabo de Santo Agostinho/PE); “Mercadorias e Futuro”, do Teatro de Lirovski (Recife/São Paulo), com Lirinha, líder do grupo Cordel do Fogo Encantado e natural de Arcoverde; “A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró“ e “O Inspetor Geraldo”, ambos com o Pessoal do Tarará (Mossoró/RN); e a equipe francesa Cie Du P’Tit Doigt, com o espetáculo “Tous Les Jours Est Um Voyage”, que chega à cidade através da etapa especial do Projeto Palco Giratório no Ano Brasil-França, promovido pelo Sesc. Toda a programação chama a atenção para a necessidade de uma casa de espetáculos estruturada na cidade, pólo de referência de talentos nas artes cênicas.

“A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró”

I FESTIVAL CENA ABERTA – SEMANA GERALDO BARROS
PROGRAMAÇÃO


Dia 11 de setembro (sexta-feira)
18h – Cerimônia de abertura na escadaria do Sesc;
18h30 – Espetáculo “Piquenique No Front”, com a Cia. Visse & Versa de Ação Cênica (Rio Branco/AC), na escadaria do Sesc;
20h – Cortejo do Maracatu Batuque do Sertão e Liga de Bois de Arcoverde (Arcoverde/PE), partindo do Sesc para a Estação da Cultura;
21h30 – Espetáculo “Ciclopes”, com a Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades (Rio de Janeiro/RJ), na Estação da Cultura;

Dia 12 de setembro (sábado)
14h30 – Oficina de Clown com a Cie Du P’tit Doigt (França), no Auditório do Sesc;
18h – Espetáculo “Federika – O Arlequim Guerrilheiro”, do Grupo Manda Lá de Teatro (Arcoverde/PE), no Galpão da Estação;

Foto Lucas Emanuel

21h – Espetáculo “Deus Danado”, com o Grupo de Teatro Arte-Em-Cena (Caruaru/PE), na escadaria do Sesc;
22h30 – Lançamento da coleção de livros Memórias da Cena Pernambucana, de Leidson Ferraz, na Galeria de Artes de Arcoverde (CECORA).

Dia 13 de setembro (domingo)
18h – Espetáculo “Tous Les Jours Est Un Voyage”, da Cie Du P’Tit Doigt (França), no Galpão da Estação;
21h – Espetáculo “Enamorados... A Demanda do Amor”, com o Coletivo Enamorados de Teatro (Recife/PE), na escadaria do Sesc.
22h30 – Abertura da Exposição Geraldo Barros, na Galeria de Artes de Arcoverde (CECORA).

Dia 14 de setembro (segunda-feira)

Foto Vanessa Malta

10h – Espetáculo “Decripolou Totepou”, da Trupe Puxincói, Teatro e Variedade (Tuparetama-PE), no Esporte Clube de Arcoverde;
14h30 – Demonstração de Trabalho com o Grupo Manda Lá de Teatro (Arcoverde/PE), no Sesc;
15h – Espetáculo “A Paixão e a Sina de Mateus e Catirina”, da Tropa do Balaco Baco (Arcoverde/PE), no Presídio Brito Alves;
21h – Espetáculo “Piquenique No Front”, com a Cia. Visse & Versa de Ação Cênica (Rio Branco/AC), no Galpão da Estação;
22h – Lançamento do documentário “Geraldo Barros”, no Cine Rio Branco.

Dia 15 de setembro (terça-feira)
9h – Demonstração de Trabalho da Cia. Visse & Versa de Ação Cênica (Rio Branco/AC), no Sesc;
15h – Espetáculo “Carmem de La Zone”, do Teatro Experimental da Cena (Arcoverde/PE), no Canteiro de Obras do Sesc;
18h – Espetáculo “O Despertar da Primavera”, do Teatro de Retalhos (Arcoverde/PE), no Galpão da Estação;
21h – Espetáculo “A Dona da História”, com a Trupe Errante e Pé nu Palco Grupo de Teatro (Petrolina/PE), na escadaria do Sesc.

Dia 16 de setembro (quarta-feira)
9h – Demonstração de Trabalho da Trupe Errante e Pé nu Palco Grupo de Teatro (Petrolina/PE), no Sesc;
15h – Espetáculo “Decripolou Totepou”, da Trupe Puxincói, Teatro e Variedade (Tuparetama-PE), no Clube dos Sargentos e Subtenentes;

Foto Ivan Alecrim

18h – Espetáculo “Do Moço e do Bêbado Luna”, dos Loucos e Oprimidos da Maciel (Recife/PE), na Praça de São Cristóvão;
21h – Espetáculo “O Despertar da Primavera”, do Teatro de Retalhos (Arcoverde/PE), na escadaria do Sesc.

Dia 17 de setembro (quinta-feira)
9h – Demonstração de Trabalho dos Loucos e Oprimidos da Maciel (Recife/PE), no Sesc;
14h30 – Demonstração de Trabalho do Grupo da Gente/GRUDAGE (Cabo de Santo Agostinho/PE), no Sesc;
18h – Espetáculo “A Paixão e a Sina de Mateus e Catirina”, da Tropa do Balaco Baco (Arcoverde/PE), no Alto do Cruzeiro;
21h – Espetáculo “Mercadorias e Futuro”, do Teatro de Lirovski (Recife/São Paulo), na escadaria do Sesc.

Dia 18 de setembro (sexta-feira)
9h – Demonstração de Trabalho do Teatro de Retalhos (Arcoverde/PE), no Sesc;
14h30 – Colóquio “A Cadeia Produtiva da Arte”, no Auditório da AESA;
18h – Espetáculo “O Cavalo Que Defecava Dinheiro”, com o Grupo da Gente/GRUDAGE (Cabo de Santo Agostinho/PE), na Fundação Terra;
21h – Espetáculo “O Inspetor Geraldo”, do Pessoal do Tarará (Mossoró/RN), na Praça da COHAB I.

Dia 19 de setembro (sábado)
9h – Demonstração de Trabalho do Pessoal do Tarará (Mossoró/RN), no Sesc;
14h30 – Colóquio “As Artes Cênicas e Seus Espaços de Representação”, no Auditório da AESA;
18h – Espetáculo “Do Moço e do Bêbado Luna”, dos Loucos e Oprimidos da Maciel (Recife/PE), na Praça da Bandeira;
21h – Espetáculo “Viva a Nau Catarineta”, com o Grupo da Gente/GRUDAGE (Cabo de Santo Agostinho/PE), na escadaria do Sesc;
22h30 – Festa Evoé Baco!, com show de Os Pariceiros (Arcoverde/PE), no Parque Aquático do Sesc.

Dia 20 de setembro (domingo)
18h – Espetáculo “Vade-Retro”, da Tropa do Balaco Baco (Arcoverde/PE), no Largo de São Geraldo;
21h – Espetáculo “A Peleja do Amor no Coração de Severino de Mossoró”, do Pessoal do Tarará (Mossoró/RN), na escadaria do Sesc;
22h30 – Cerimônia de encerramento no Parque Aquático do Sesc, com entrega de troféus e certificados aos participantes e homenageados.


Maiores informações: festivalcenaaberta@hotmail.com ou tropadobalacobaco@hotmail.com / Romualdo Freitas.

Detalhes de divulgação: Leidson Ferraz leidsonferraz@uol.com.br (assessoria de imprensa).

“Histórias de Além-Mar”

História recontada por brasileiros e holandeses



A trajetória de Maurício de Nassau (desde quando foi convidado pela Companhia das Índias Ocidentais para administrar a colônia da Nova Holanda no Brasil até a volta para a Holanda) é retratada pelo espetáculo Histórias de além-mar.

Esta produção é uma versão para o Brasil do espetáculo Verhalen van Overzee, criada pelo Teatro Munganga – companhia fundada na cidade de Amsterdã (Holanda), por quatro artistas brasileiros. “Moro na Holanda há 20 anos, Maurício de Nassau sempre me intrigou. Sou carioca e, quando passava as férias em Maceió, minha avó me contava muitas histórias sobre os holandeses. A vida me levou para a Holanda e, há um tempo atrás, amigos que fizeram trabalhos de escavação aqui (no Brasil) falavam para eu montar um espetáculo. Há toda uma simbologia pra mim”, afirma a diretora Cláudia Maoli.

Nesta montagem, foi mantido o texto original, de Carlos Lagoeiro e Bouke Oldenhof. Marcondes Lima é o responsável pela direção de arte e as músicas são de Sérgio Campello e do grupo SaGrama. Outra mudança se deu no figurino, que na Holanda foi confeccionado nos tons escuros – utilizados no período retratado –, mas no Brasil recebeu tons claros, que remetem ao açúcar. Enquanto na Holanda o elenco era formado por quatro atores, em Pernambuco foram selecionados cinco intérpretes para o espetáculo: Andrezza Alves, Júnior Aguiar, Arthur Canavarro, Marinho Falcão e Carlos Ferrera. Eles ajudam a tocar em temas como a relação colonizador/colonizado, a imigração e o sentimento de ser estrangeiro. "Mostramos a comitiva de arquitetos e artistas que vieram com Nassau, além de fantasiarmos em cima do encontro dele com uma mulher, uma senhora de engenho, e do diálogo dele com um líder indígena e um escravo", detalha Cláudia Maioli, que com o Munganga nunca havia tentado fazer uma peça histórica. "Nossa trajetória traz muita literatura brasileira e Guimarães Rosa", pontua.

A montagem é voltada para o público infanto-juvenil e tem um cunho pedagógico (estudantes de escolas públicas receberão cartilhas educativas), mas elementos foram acrescentados à história oficial. “Estou recriando, pesquisei muito sobre o período, mas não queria uma aula de história. Me permiti algumas ousadias, estou morrendo de medo de os historiadores me colocarem no paredão (risos). Queria espaço para uma coisa lúdica”, explica a diretora.

A peça estreou na capital holandesa em 2007 e contabilizou mais de 100 récitas até março do ano passado, em teatros e museus holandeses, onde o projeto contou com apoio do Ministério holandês de Educação, Cultura e Ciência. com apoio do Ministério Holandês de Educação, Cultura e Ciência, e foi apresentada em diferentes cidades daquele país. Em Pernambuco, o projeto percorre um trajeto que o grupo batizou de A Rota de Nassau. Neste sábado e domingo, a peça será encenada em Itapissuma e Olinda. No Recife, as apresentações acontecem entre os dias 15 de setembro e 4 de outubro, em locais variados, como o Palácio do Campo das Princesas (só para convidados), Instituto Ricardo Brennand e Forte do Brum. A outras paradas serão em Igarassu, dias 20 de setembro e 6 de outubro, e Itamaracá, dia 9 de outubro.

Um perfil mais "emocional" de Nassau, geralmente retratato nos livros de história ora como herói ora como oportunista, foi o caminho trilhado pela diretora Cláudia Maioli, que mora há vinte anos em Amsterdam, na Holanda, onde criou o grupo Teatro Munganga. "O que faço é uma licença poética acerca de algumas passagens históricas. O teatro é interessante para reinventar a realidade", defende a diretora, que criou em cima do texto de Carlos Lagoeiro e Bouke Oldenhof.

A companhia planeja revisitar algumas das cidades por onde passou o conde holandês, continuando a turnê por Itapissuma (sábado, dia 12, às 16h e 18h, no Parque Ecológico); Olinda(domingo, às 18h, no Mercado da Ribeira); Recife (de 15 de setembro a 4 de outubro, em locais como o Palácio do Campo das Princesas, para convidados e o Instituto Ricardo Brennand, aberto ao público, mas a entrada do local custa R$ 5); Igarassu (20 de setembro a 6 de outubro) e Itamaracá (9 de outubro, possivelmente no Forte Orange).

Programação:
  1. Goiana -Hoje (9), às 16h e 20h, no Cine Teatro Polytheama
  2. Itapissuma - sábado (12), às 16h e 18h, no Parque Ecológico
  3. Olinda - Domingo (13), às 18h, de setembro, no Mercado da Ribeira
  4. Recife - Dias 15 e 16 de setembro (só para convidados), às 19h, no Campo das Princesas
    De 22 a 25, de 29 a 30 de setembro, e dias 01 e 02 de outubro (somente para escolas públicas), às 13h30 e 15h30; Dias 26 e 27 de setembro (aberto ao público), às 15h, no Instituto Ricardo Brennand; Dias 03 e 04 de outubro, às 19h, no Forte do Brum
  5. Igarassu - dia 20 de setembro e 06 de outubro, às 16 e 19h
  6. Itamaracá - dia 09 de outubro, no Forte Orange, às 16 e 19h.

    Fontes: Diário de Pernambuco e Jornal do Comércio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Fotos de Meninas de Engenho no Espaço da compassos















Fotos Antônio Rodrigues
Veja mais fotos no link abaixo:
http://www.flickr.com/photos/arodrilho/sets/72157622325159426/
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

MENINAS DE ENGENHO

“Vou contar três histórias de menina, três momentos de amor:
Menina Vida, Menina Flor e Menina Dor!”

Estradeira

Meninas de Engenho é uma narrativa poética que conta, através da voz suave de uma velha Estradeira, três histórias distintas do universo feminino: Menina Vida, uma jovem que vende seu corpo para sobreviver, mas sonha em reencontrar Vida, sua boneca de pano, perdida em meio ao asfalto e às sombras noturnas que a rodeiam; Menina Flor, uma adolescente que vive em sua janela uma longa espera por seu Príncipe Encantado; e Menina Dor, uma criança que vagueia sem rumo na estrada depois de ter perdido “três quartos de sua vida”.

O espetáculo marca os dez anos de existência do Grupo Engenho de Teatro e retoma em cena o diálogo com uma linguagem que vem sendo desenvolvida desde sua estréia com o espetáculo O Terceiro dia, obra inspirada no escritor mineiro João Guimarães Rosa.
A encenação é construída a partir de elementos simples e interpretações alicerçadas em uma pesquisa que alia o gesto sintético à fluência narrativa dos contadores de histórias, ninadas por uma música executada ao vivo, que dialoga estreitamente com a trama do texto.

O espetáculo tem o incentivo da Fundarpe, Governo de Pernambuco, através do Funcultura.


FICHA TÉCNICA:

Texto e encenação: Eron Villar
Direção Musical: Kleber Santana
Músicas: Alexsandro Souto Maior e Kleber Santana
“Ritmo e poesia da menina feia”, gentilmente cedida por Nô Stopa.
Cenário e figurinos: Wamberto Oliveira
Execução de figurinos: Sara Paixão
Execução de Cenário: Nagilson Lacerda e Sara Paixão
Maquiagem: Andréa Veruska e Gera Cyber
Confecção da boneca Menina Dor: Leila Leal
Iluminação: Luciana Raposo
Fotografia e imagens: Ângulo Vídeo Produções
Projeto gráfico: Bruno Ximenes
Oficina de Acordeon: Kleber Santana
Oficina de Manipulação de Formas Animadas: Andréa Veruska
Oficina de Contação de Histórias: Alexsandro Souto Maior
Produção Executiva: Grupo Engenho de Teatro
Produtora proponente: Verônica Dantas de Araújo

Atrizes, cantoras, instrumentistas e manipuladoras:
Andreza Nóbrega
Lane Cardoso
Vanessa Lins

Serviço:
Meninas de Engenho
Grupo Engenho de Teatro
Espaço Compassos
rua da moeda, 93 1º andar, recife antigo.
Quartas de setembro às 19h e 21h
1º de outubro (quinta) às 19h e 21h
Ingresso R$ 10,00
Meia R$ 5,00

Vale a pena conferir!

VII Festival Estudantil de Teatro e Dança entrega troféus aos melhores


Domingo com o Teatro de Santa Isabel abarrotado de gente. Tudo para conhecer os vencedores do VII Festival Estudantil de Teatro e Dança, com entrega de troféus aos melhores nas categorias teatro para adultos (15 espetáculos concorrendo), teatro para a infância (13 concorrentes) e dança (com 28 coreografias na disputa).

O evento, organizado pelo produtor Pedro Portugal, reuniu produções oriundas de escolas públicas e particulares do Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Camaragibe, Moreno, Igarassu, Cabo de Santo Agostinho, Pombos, Chã de Alegria, Lagoa de Itaenga, Caruaru e Garanhuns.

A festa, sob a direção de Albemar Araújo, prestou homenagem à atriz Ivonete Melo e ao coreógrafo Raimundo Branco. A apresentação ficou por conta das atrizes Sandra Rino e Hilda Torres, com participação de bonecos do Grupo Mulungu Teatro de Bonecos e Atores, de Igarassu (um deles, uma ótima caricatura do organizador do evento), além de atrações como a Cia. Os Melhores da Praça, de humor; o bailarino Werison Fidelis em solo de dança contemporânea, alunos do projeto de Formação e Qualificação em Dança da Compassos Cia. de Danças, e trecho do espetáculo Quincunce, do Grupo Experimental (com os bailarinos Ramon Milanez, Daniel Siva e Jennifer Caldas), momento de aplausos bem calorosos.

Os dois espetáculos vencedores Tartufo, do Grupo de Teatro Matraca, do Jaboatão dos Guararapes, na categoria teatrao adulto; e O Pequenino Grão de Areia, do Grupo Criativo de Teatro, de Caruaru, na categoria teatro para a infância, já estão confirmados na grade do XXI Festival de Teatro do Agreste (Feteag), que será realizado em outubro, em Caruaru. Ao final da premiação, o produtor Pedro Portugal anunciou os homenageados do evento em 2010: o diretor teatral José Manoel e as coordenadoras do Stúdio de Danças, Ruth Rozenbaum e Lúcia Helena Gondra.

A comissão julgadora de teatro foi formada por Alfredo Borba, ator e diretor de Patrimônio do Centro Apolo-Hermilo; Geraldo Berardinelli, diretor de arte; Jorge Costa, ator, diretor, bonequeiro e presidente da Associação Pernambucana de Teatro de Bonecos e Romildo Moreira, ator, diretor e historiador do teatro pernambucano. Já na comissão julgadora de dança estavam Arnaldo Siqueira, bailarino, professor de dança da UFPE e coordenador do Festival Internacional de Dança do Recife; Lane Cardoso, atriz e bailarina; e Maria Paula Costa Rêgo, atriz, bailarina, coreógrafa e diretora do Grupo Grial de Dança.

Confira os premiados:


VENCEDORES NA CATEGORIA TEATRO PARA A INFÂNCIA E JUVENTUDE


MELHOR ESPETÁCULO
O Pequenino Grão de Areia (Grupo Criativo de Teatro e Colégio Criativo – Caruaru)
Djair Freire
* Foram ainda indicados Pluft, o Fantasminha (Grupo Oficen) e O Reino Verde de Júlio (Grupo Teatral Se Der Certo Continua)

MELHOR DIRETOR
Rafael Amâncio (O Pequenino Grão de Areia – Grupo Criativo de Teatro – Caruaru)
* Foram ainda indicados Ingrid Santtos e Hammai de Assis: (A Viagem de Um Barquinho) e Anderson Abreu (O Reino Verde de Júlio)

MELHOR ATOR
Pedro Toscano (O Pequenino Grão de Areia – Grupo Recanto de Teatro – Recife)
* Foi ainda indicado Brivaldo Vítor (O Reino verde de Júlio)

MELHOR ATRIZ
Débora Dayane (Pluft, o Fantasminha – Grupo Oficen – Igarassu)
* Foi ainda indicada Aninha Fragoso (A Sociedade dos Globs)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Diego Soares (A Viagem de Um Barquinho – Espaço Cultural Inácia Rapôso Meira – Recife)
* Foram ainda indicados Gleison Ravi e Higor Borges (ambos de A Estranha Fórmula do Dr. Rugga) e Robert Albuquerque (A Sociedade dos Globs)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Erivânia Moreira (Pluft, o Fantasminha – Grupo Oficen – Igarassu)
* Foi ainda indicada Andriele Renata (A Estranha Fórmula do Dr. Rugga)

MELHOR CENÁRIO
Rafael Amâncio (O Pequenino Grão de Areia – Grupo Criativo de Teatro – Caruaru)
* Foram ainda indicados Erineide Moreira e Paulo André (Pluft, o Fantasminha) e Romário Henrique e Grupo Zum, Zum, Zum Danado (Qual sua história, Maria? Qual seu sonho, José?)

MELHOR FIGURINO
Luiz Moraes (O Reino Verde de Júlio – Grupo Teatral Se Der Certo Continua – Recife)
* Foram ainda indicados Maria Aparecida e Rafael Amâncio (O Pequenino Grão de Areia) e Edinaldo Ribeiro (A Sociedade dos Globs)

MELHOR MAQUIAGEM
Mary Lins (A Sociedade dos Globs – Grupo de Teatro Decisão – Recife)
* Foram ainda indicados Glicínia Raquel e Sandra Albino (A Estranha Fórmula do Dr. Rugga) e Stephanie Veras e Rafael Amâncio (O Pequenino Grão de Areia)

MELHOR TEXTO INÉDITO DE AUTOR PERNAMBUCANO
Ivan Ferreira (Por Onde Andas Longe de Mim? Ou A Caverna é Escura Demais)
*Foram ainda indicados Anderson Abreu e Alex Sandro Silva (O Reino Verde de Júlio) e Carlos Janduy (A Estranha Fórmula do Dr. Rugga)

VENCEDORES NA CATEGORIA TEATRO ADULTO


MELHOR ESPETÁCULO
Tartufo (Grupo de Teatro Matraca e SESC Piedade – Jaboatão dos Guararapes)

Djair Freire

*Foram ainda indicados Cinema Mudo (Grupo de Teatro Macambira) e Mais Um Tiquim de Nós (Grupo Cênico Emanuel Tenório de Holanda)

MELHOR DIRETOR
Carlos Janduy (Mais um Tiquim de Nós – Grupo Cênico Emanuel Tenório de Holanda – Garanhuns)
*Foram ainda indicados Danielle Alves e Evânia Copino (Tartufo) e André Ramos e Albanita Almeida (O Vôo do Cavalo do Cão)

MELHOR ATOR
Maurício Azevedo (Tartufo – Grupo de Teatro Matraca – Jaboatão dos Guararapes)
* Foram ainda indicados Higor Borges, Mário Sérgio e Erivaldo Oliveira (todos de Mais um Tiquim de Nós)

MELHOR ATRIZ
Mary Lins (A Ostra – Grupo de Teatro Decisão – Recife)
*Foi ainda indicada Suzanny Castro (A Ostra)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Saulo Costa (Ex-Miseráveis – Cia. de Teatro FALAZ – Recife)
* Única indicação

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Ariele Mendes (Tartufo – Grupo de Teatro Matraca – Jaboatão dos Guararapes)
* Foi ainda indicada Gabriela Holanda (Cinema Mudo)

MELHOR CENÁRIO
André Ramos (O Vôo do Cavalo do Cão – Grupo Teatral Ariano Suassuna – Igarassu)
* Foram ainda indicados Manoel Carlos (Tartufo), Soraya Fonseca (A Pedra do Reino) e Carlos Janduy (Mais Um Tiquim de Nós)

MELHOR FIGURINO
Soraya Fonseca (A Pedra do Reino – Cia. Teatral Mãos Em Cena – Recife)

Djair Freire

* Foram ainda indicados Manoel Carlos (Tartufo) e Gabriela Holanda (Cinema Mudo)

MELHOR MAQUIAGEM
Gabriela Cabral (Cinema Mudo – Grupo de Teatro Macambira – Olinda)
* Foi ainda indicado Jefferson Nascimento (Sem Fio... Perto do Fio, Longe do Coração...)

MELHOR TEXTO INÉDITO DE AUTOR PERNAMBUCANO
Não houve indicação

Foram ainda concedidos pela comissão julgadora:

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Ao espetáculo A Pedra do Reino, da Companhia Teatral Mãos em Cena, do Centro SUVAG (Recife), por trazer à cena um trabalho de porte, reunindo atores com necessidades especiais.

MENÇÃO HONROSA
À ONG Geração Futuro, pela iniciativa de envolver o teatro em seus trabalhos sociais.

VENCEDORES NA CATEGORIA DANÇA

MELHOR COREOGRAFIA
Ligações (Colégio NAP Pré-Grupo de Dança – Recife)
* Foram ainda indicadas Passo (Espaço Maria Helena Marinho do Movimento Pró-Criança), Reencontro (Grupo NAP de Dança), Pas-De-Deux Neo-Clássico (Ária Clássico), Para Elas (Ária Espaço de Dança e Arte) e Encontros (Stúdio de Danças)

MELHOR COREÓGRAFO (A)
Larissa Porto (Ligações – Colégio NAP Pré-Grupo de Dança – Recife)
* Foram ainda indicados Ramalho Júnior e Érica Nunes (Passo), Viviane Lira (Reencontro), Inez Lima, em adaptação de criação de Lynne Taylor Corbett (Pas-De-Deux Neo-Clássico), Carla Machado (Para Elas) e Brenda Schettini (Encontros)

MELHOR BAILARINO (empatados)
Cláudio Henrique (Pas-De-Deux Neo-Clássico – Ária Clássico – Jaboatão dos Guararapes) e Augusto César (Cabra da Peste – Cia. Nordeste de Dança – Recife)
* Foram ainda indicados Gabriel Jácome (Reencontro) e Roberto Oliveira (Sonhos, Peripécias e Gargalhadas)

MELHOR BAILARINA (empatadas)
Mariana Catão (Encontros – Stúdio de Danças – Recife)
Renata Ribeiro (Banzomotrix – Cia. de Dança e Teatro Luardat – Recife)
* Foram ainda indicadas Nataly Araújo (Pas-De-Deus Neo-Clássico) e Manuela Vitae (Ligações)

MELHOR FIGURINO
Rodolpho Salles (Reencontro – Grupo NAP de Dança – Recife)

Wellington Dantas

* Foram ainda indicados Ana Elena Janovitz (Bonecas Venezianas), Elaine Cristina e Sandra Cristina (Banzomotrix), Jane Dickie (Festival das Flores) e Rodolpho Salles (Ligações)

Foi ainda concedido pela comissão julgadora:

PRÊMIO DESTAQUE
A Black Escobar, pela exitosa criação e articulação do conjunto dos elementos cênicos utilizados na coreografia Sonhos, Peripécias e Gargalhadas, com o Grupo de Dança Arte em Movimento do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.

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Críticas e sugestões: festivalestudantil@gmail.com

Valeu! Leidson Ferraz 3222 0025 / 9292 1316.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"MEU"

Fotos da Estreia do espetáculo "Meu", de Marcelo Oliveira, dia 5 de setembro de 2009 no Teatro Alfredo de Oliveira. O espetáculo fica em temporada todo sábado e domingo as 20:30h.
Fotos Antônio Rodrigues










João Denys volta aos palcos hoje com texto e direção em parceria com a Cia do Ator Nú.


O PRÍNCIPE E O COVEIRO

A estreia nacional do espetáculo Encruzilhada Hamlet, da Cia do Ator Nu, é a atração de hoje do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. A dramaturgia do pernambucano João Denys passeia por Shakespeare e por referências ligadas à vida dos atores

angélica feitosa
angelica@opovo.com.br
07 Set 2009 - 01h57min



O impensável e improvável acontecem. Príncipe e coveiro, Hamlet e vassalo, ocupam a mesma cova. A vala é contemporânea ao dia em que a cena acontece, num presente decorrido mais de quatro séculos depois de escrito o drama shakesperiano. Os dois corpos nus, presos num espaço e agarrados pela terra, produzem embate. São água e vinho. Hamlet amarrado na horizontalidade e ligado ao intelecto. O coveiro ruma por outro sentido: a verticalidade do seu conhecimento a partir das coisas que provou e viveu – uma percepção clara e empírica do mundo. Em algum momento, eles formam a cruz necessária para o espetáculo Encruzilhada Hamlet.

“Esse cruzamento aparece na peça de várias maneiras, inclusive do nosso corpo”, confidencia o ator e coordenador de produção, Edjalma Freitas. Ainda dá tempo viajar à serra e assistir a Encruzilhada Hamlet, que estreia nesta segunda, 7, quarto dia do 16º Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. A montagem parte de uma pesquisa cuja primeira fagulha foi riscada há cinco anos. Era o instante em que surgia a Cia do Ator Nu, parceria cênica de Edjalma com o também ator Henrique Ponzi. A peça, no entanto, é somente o terceiro trabalho em conjunto da dupla – os dois enveredaram primeiro por outros caminhos. Antes, fizeram uma visita pelas obras de Caio Fernando Abreu, no espetáculo Fio Invisível da Minha Cabeça e do dramaturgo pernambucano Norberto Cordeiro, com Cartas para um Mozartiano.

Em 2004, a dupla convidou o dramaturgo João Denys, professor da Universidade Federal de Pernambuco, para uma pesquisa em conjunto. A ideia inicial seria a de enveredar por uma dramaturgia a partir do texto do alemão Heiner Müller, Hamlet Máquina (Hamlet-Machine). Decidiram, entretanto, partir do provedor maior desse texto, o próprio Shakespeare. “Quanto mais a gente se aproximava de Shakespeare, mais o Müller ficava em segundo plano”, calcula Henrique.

Personagens e vida
Aos poucos, os personagens de Hamlet e do coveiro se misturam às vivências dos próprios atores e o texto ganha linhas indissociáveis do escrito de João Denys. O dramaturgo nascido em Currais Novos (RN), a 180 km de Natal e radicado em Recife, exprime os traços locais da oralidade, toca em temas universais e arranca um pouco do estigma de regionalização da produção do Nordeste. “Porque nunca se pode esquecer-se de colocar uma produção do Nordeste, mesmo com temas ligados à Região, como algo universal. Não podemos competir isso só ao Sul do País”, disse ao O POVO o dramaturgo João Denys, em entrevista por telefone antes do início do festival.

“Hamlet e o coveiro são personagens tão fortes que transcenderam à própria peça, ganharam dimensão muito além dos escritos de Shakespeare. Existem inúmeros livros estudando o personagem principal e outros que apontam muita sabedoria e conhecimento no coveiro”, credencia Edjalma a escolha dos dois personagens para o texto contemporâneo. O espetáculo tematiza o patriarcalismo, os sonhos de vida e de morte, a luta de classes. Passa, principalmente, pela impossível conciliação plena dos opostos. Drama, tragédia e comédia se misturam. O coveiro, aliás, tem às claras toda a situação. Ele sabe que é um personagem criado por Shakespeare, que não pertence à época do agora, enquanto Hamlet está meio perdido, tentando achar respostas.

Embora os dois artistas apareçam sem roupa em cena, é bom deixar claro não é esse o centro dos trabalhos do grupo. A companhia é do Ator Nu porque acredita no teatro de e para o ator. No homem está todo o foco da arte dramática. É o encenador o centro de toda a interpretação, o motivo de toda a pesquisa, e qualquer que seja o aparato usado, ele sempre deve ser justificado a partir do ser humano no palco.

O convite para compor a Mostra Nordeste, a principal do festival, teve uma ligação muito forte com um investimento da companhia. O grupo participou da mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba, o Fringe, bancando do bolso todos os custos para ir à capital paranaense mostrar Fio Invisível da Minha Cabeça. “Tivemos várias condições adversas, como um piano no meio da sala que aconteceu a apresentação. Aquele objeto enorme não tinha nada a ver com a peça, só não dava para ser removido. Ainda assim, a apresentação foi bacana e redeu frutos. Estamos aqui”, comemora Edjalma. A expectativa é que os mesmos ganham se repitam na estreia de hoje.

Ficha técnica do espetáculo Encruzilhada Hamlet.

Encenação, Cenografia, Figurinos e Dramaturgia: João Denys.

Ator e Coordenação de Produção: Edjalma Freitas.

Ator e Produção Executiva: Henrique Ponzi.

Trilha Sonora: Naná Vasconcelos.

Iluminação: Saulo Uchoa.

Maquiagem: Marcondes Lima.

Preparação de Voz: Rose Mary Martins.

Preparação de Corpo: Miriam Asfóra.

SERVIÇO:
ENCRUZILHADA HAMLET, espetáculo da Cia do Ator Nu, com dramaturgia e direção de João Denys, no 16º Festival Nordestino de Teatro. Segunda, 7, às 19 horas, no Teatro Rachel de Queiroz, em Guaramiranga. Ingresso: R$ 5 (inteira) e R$ 2,5 (meia). Outras informações: (85) 3246 5555 ou www.agua.art.br/fnt2009

TEMPORADA 2009:

Quando: de 12 de setembro a 18 de outubro. Sábados e domingos, sempre às 20h

Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n – Pina)Informações: (81) 3232.3054

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Estreia do espetáculo "Meu "
O amor parece ser mesmo o grande tema das artes dramáticas. Tendo como premissa um conjunto de histórias simbólicas e absurdas, o autor e diretor Marcelo Oliveira faz de Meu, sua mais nova empreitada teatral, uma encenação onde o amor é o centro. "É um espetáculo simples. Não tem cenários grandiosos nem textos herméticos. Ele quer apenas falar de amor", explica o dramaturgo. Histórias simbólicas e aparentemente absurdas estão reunidas no espetáculo Meu. Resultado de quase um ano de processo criativo, Meu é dirigido por Marcelo Oliveira, autor e diretor de Corra, com o Magiluth.
Cena do espetáculo Meu
A peça conta a história de cinco personagens que moram na rua Esquerda e são vítimas das dores advindas do amor. Dorotéia cria um peixinho dourado num aquário, de onde pode controlar todos os seus mergulhos; Heitor tem orgasmos de 30 minutos, tal qual um porco; Carmem lê lábios e está sempre à procura da chave perdida da porta; e Sirleide, casada com Mário, tem intermináveis discussões com o marido, que dão vez ao silêncio, certo dia.

Em cena, três atores: Eduardo, Elis Costa e Marcelle Tartas. Juntos, os três se uniram a Marcelo Oliveira para formar o Meu Coletivo de Teatro. "O objetivo foi o de estabelecer uma troca experiências e informações apreendidas no convívio com nossos respectivos grupos de trabalho através de uma montagem teatral. Saímos todos ganhando”, diz Elis Costa. Ao todo, o processo durou cerca de um ano até a estreia, que acontece dia 5 de setembro, às 20h30, no Teatro Alfredo de Oliveira. A temporada segue durante todo o mês, aos sábados e domingos, sempre no mesmo horário; e durante outubro, somente aos sábados. O espetáculo conta com o apoio do Sesc Piedade, Imobiliária Eduardo Feitosa, Zquatro Stúdio, Mica Cards e do próprio Teatro Alfredo de Oliveira.

Marcelle Tartas e Eduardo Rios em cena de Meu


Elis Costa e seu amigo Virgínio





Estreia sábado, dia 05 de setembro e as sessões serão realizadas aos sábados e domingos, em setembro, e apenas aos sábados, em outubro, sempre às 20h30. Ingressos: R$ 10 (preço único).






Serviço

Meu
Meu Coletivo de Teatro
Setembro (sáb e dom) e Outubro (sáb)
Teatro Alfredo de Oliveira (anexo ao Valdemar de Oliveira)
Horário: 20h30. Informações: 3091.3328

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Setembro é o mês da Cia Fiandeiros de Teatro

Durante todo o mês de setembro, palestras gratuitas e espetáculos teatrais vão movimentar o Recife. O projeto “Fiandeiros Repertório – A dramaturgia poética de autores pernambucanos”, da Companhia Fiandeiros de Teatro, que vai apresentar três peças do grupo.

Nas quintas e sextas, a partir do dia 3 de setembro, serão exibidos “Vozes do Recife”, peça que reúne poesias de cinco autores pernambucanos que falam sobre a capital, e “O Capataz de Salema, com texto de Joaquim Cardozo, no Teatro Hermilo Borba Filho, a partir das 20h. Os sábados e domingos foram reservados para a apresentação do infantil “Outra Vez, Era Uma Vez...”, no teatro Apolo, a partir das 16h.
Já as palestras, serão promovidas todas as quartas, às 19h, a partir do dia 2 de setembro, no Espaço Fiandeiros. Entre os temas dos debates estão a poesia no teatro pernambucano, a dramaturgia de Joaquim Cardozo e o teatro para infância e juventude.
Já as palestras, serão promovidas todas as quartas, às 19h, a partir do dia 2 de setembro, no Espaço Fiandeiros. Entre os temas dos debates estão a poesia no teatro pernambucano, a dramaturgia de Joaquim Cardozo e o teatro para infância e juventude.

ESPETÁCULOS
Abrindo o ciclo de apresentações, o “Vozes do Recife” - primeira montagem da companhia - conta com roteiro e direção de André Filho e reúne poesias de cinco autores pernambucanos que falam sobre a cidade do Recife. Os atores interpretam músicas de Capiba, Nelson Ferreira, entre outros, e recitam poemas de Ascenso Ferreira, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Carlos Pena Filho e Joaquim Cardozo para falar sobre memória, melancolia e a saudade da antiga Recife, transformada pela modernidade e urbanização.

Já em “O Capataz de Salema”, a poesia encontra-se dentro da composição mesma do texto de Joaquim Cardozo, que é todo escrito em versos. A tragédia conta a história de Luzia e sua avó, moradoras de uma aldeia de pescadores. O mar é uma presença constante na vida das personagens, e a todo momento interfere nessas existências, ora trazendo perdas (foi onde Sinhá Ricarda – a avó – perdeu os seis filhos), ora trazendo esperança, quando através dele chega o Capataz de Salema, que se apaixona por Luzia e a promete uma vida melhor.

O elemento poético também está presente em “Outra Vez, Era Uma Vez...”, espetáculo infantil que fala sobre um escritor, chamado Poeta, sem inspiração para finalizar a história que está escrevendo. Para ajudá-lo, os personagens saem do livro e convidam o autor a vivenciar sua criação. Para eles, Poeta precisaria resgatar sua infância para conseguir escrever, e o fará através de brincadeiras e canções ao longo de um passeio por sua própria história. Com música, bonecos e poesias, o espetáculo dialoga com as crianças temas tabus como a morte.

PALESTRAS
Paralelamente às apresentações dos espetáculos, ocorrerá um ciclo de palestras, abertas ao público, que discutirá temas relacionados à pesquisa teatral da Companhia Fiandeiros. Durante todas as quartas de setembro, no Espaço Fiandeiros, serão debatidas questões relevantes para a ampliação do conhecimento sobre o fazer teatral, a presença da poesia e da musicalidade no teatro e a importância da criação de uma linha de pesquisa e desenvolvimento artístico nos grupos teatrais. Foram convidados especialistas nos assuntos tratados, como o professor João Denys, um dos principais pesquisadores da obra de Joaquim Cardozo no Brasil.

SERVIÇO:

Espetáculos:

* às quintas e sextas, a partir das 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho
* aos sábados e domingos, a partir das 16h, Teatro Apolo - Centro Apolo-Hermilo – Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife
Entrada: R$ 12 (Inteira) R$ 6 (Meia)

Palestras:

02/09
Palestra: Repertório x Identidade no Trabalho de Grupo.
Palestrante: Fernando Yamamoto (RN) 19h Espaço Fiandeiros
Rua da Matriz, nº 48, 1º andar.

09/09
Palestra: A poesia no teatro pernambucano
Palestrante: Luís Reis (PE) 19h Espaço Fiandeiros
Rua da Matriz, nº 48, 1ºandar.

16/09
Palestra: A Poética na obra de Joaquim Cardozo
Palestrante: João Denys (PE) 19h Espaço Fiandeiros
Rua da Matriz, nº 48, 1ºandar.

23/09
Palestra: Poesia e Ludicidade no Teatro para Infância e Juventude.
Palestrante: José Manoel (PE) 19h Espaço Fiandeiros
Rua da Matriz, nº 48, 1ºandar.

ENTRADA FRANCA!